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Quênia: Começou o VII Fórum Social Mundial Stampa E-mail
Image Um terço dos habitantes de Nairobi, no Quênia, vive na maior favela africana: Kibera. Essa cidade esquecida, de quase 800 mil habitantes, costuma ficar fora dos roteiros turísticos do país. Da mesma forma, o Continente africano fica à margem dos grandes debates e projetos.

Hoje, 20 de Janeiro, partiu de Kibera a Marcha de abertura da VII Edição do Fórum Social Mundial. Uma multidão representando países, diversas organizações e movimentos, carregando suas bandeiras de luta caminhou em direção ao Parque Uhuru, no coração de Nairobi. Lá os participantes ouviram algumas falas e assistiram apresentações culturais. Está inaugurado o VII FSM.

Muita expectativa envolve a edição africana do FSM. Não só porque o evento reúne multidões com grande participação de países vizinhos, mas também pela necessidade de se colocar a África na linha de frente do combate à fome e à pobreza. É hora da África, berço da humanidade, ganhar com o Fórum, um espaço mais central nas preocupações do mundo.

É a primeira vez que um país africano recebe sozinho o evento principal do FSM. Em 2001, 2002 e 2003, o evento global aconteceu em Porto Alegre (RS). Em 2004, foi realizado em Mumbai, na Índia. Em 2005 voltou para Porto Alegre. Em 2006, foi feita a experiência do Fórum policêntrico realizado ao mesmo tempo em cinco países.
Obedecendo a tendência das últimas edições, o Fórum de Nairóbi dará espaço para pensar e organizar ações para os próximos anos. Esta é uma mudança significativa na metodologia cedendo à pressão dos participantes para que o FSM seja também um espaço programático de ações que possam desencadear, no mundo, as mudanças necessárias.

Programação
As atividades do FSM entre os dias 21 e 25 de Janeiro estão organizadas em torno de nove objetivos gerais, que foram definidos a partir de consulta sobre ações, campanhas e lutas em que estão envolvidas as organizações participantes do FSM, realizada entre junho e agosto de 2006:

1. Pela construção de um mundo de paz, justiça, ética e respeito pelas espiritualidades diversas
2. Pela libertação do mundo do domínio das multinacionais e do capital financeiro
3. Pelo acesso universal e sustentável aos bens comuns da humanidade e da natureza
4. Pela democratização do conhecimento e da informação
5. Pela dignidade, diversidade, garantia da igualdade de gênero e eliminação de todas as formas de discriminação
6. Pela garantia dos direitos econômicos, sociais, humanos e culturais, especialmente os direitos à alimentação, saúde, educação, habitação, emprego e trabalho digno
7. Pela construção de uma ordem mundial baseada na soberania, na autodeterminação e nos direitos dos povos
8. Pela construção de uma economia centrada nos povos e na sustentabilidade
9. Pela construção de estruturas políticas realmente democráticas e instituições com a participação da população nas decisões e controle dos negócios e recursos públicos


por Jaime Carlos Patias, em Nairobi
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