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| Brasil: Santo Frei Galvão, rogai por nós! |
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| Scritto da p. José Tolfo, imc | |
O papa Bento XVI canonizará o beato Frei Galvão em São Paulo, na missa que celebrará no Campo de Marte, no dia 11 de maio. O papa vem ao Brasil para participar da abertura da V Conferência do CELAM. A canonização é a inscrição no rol dos santos de pessoas que se distinguiram na vida por seguir de perto a Jesus Cristo e são colocados como exemplo, como modelo, como luz que ilumina nosso caminho em direção a Cristo Ressuscitado. A Comissão de Educação (CE) do Senado aprovou a criação do feriado nacional, dia 11 de maio, em comemoração ao Dia de Frei Galvão.Cronologia 1739: Antônio de Santana Galvão nasce em Guaratinguetá (a 175 quilômetros de São Paulo). Seus pais (Antônio Galvão de França e Isabel Leite de Barros) são imigrantes portugueses e têm dez filhos. Antônio vive com seus irmãos numa casa grande e rica, pois a família goza de prestígio social e influência política. 1752: O pai, para dar uma boa formação humana e cultural, manda o filho com a idade de 13 anos para o Colégio de Belém, dos padres jesuítas (a 130 quilômetros de Salvador), na Bahia, onde já se encontrava seu irmão José. Aí, Antônio permanece de 1752 a 1756 e faz grandes progressos nos estudos e na prática cristã. 1760: Quer tornar-se jesuíta, mas, por causa da perseguição que esta congregação sofre, seu pai o aconselha a entrar para os franciscanos que têm um convento em Taubaté (SP), perto de Guaratinguetá. Aos 21 anos entra para o Noviciado na Vila de Macacu, no Rio de Janeiro. 1761: No dia 16 de abril faz seus votos solenes na Ordem dos Frades Menores e, um ano depois é admitido à ordenação sacerdotal. 1762: Em 11 de junho é destinado ao convento de São Francisco na cidade de São Paulo para estudar Filosofia e Teologia e ajudar seus confrades no trabalho apostólico. Concebe as pílulas de oração (com invocações a Nossa Senhora) para doentes, procuradas ainda hoje. 1768: É nomeado confessor de leigos, pregador e porteiro do convento, cargo importante pelo contato com as pessoas, ouvindo e aconselhando. 1770: É o confessor de um Recolhimento de piedosas mulheres de Santa Teresa. 1774: Frei Galvão, inspirado pela Irmã Helena Maria do Espírito Santo, funda o novo convento: Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição da Luz da Divina Providência, conhecido como Mosteiro da Luz, que ainda hoje abriga as monjas da congregação religiosa que fundou, na cidade de São Paulo. Ele trabalha durante muito tempo na construção e ampliação do Recolhimento e na construção da igreja (28 anos). Frei Galvão é arquiteto, mestre de obras e até mesmo pedreiro. A obra, hoje o Mosteiro da Luz, foi declarada “patrimônio cultural da humanidade” pela Unesco. 1811: Ele também funda o Recolhimento de Santa Clara em Sorocaba (SP). Voltando da fundação de Sorocaba, vive ainda dez anos, sempre no convento de São Francisco. 1822: Quando as forças já não lhe permitem mais andar do convento ao Recolhimento, passa a morar nas dependências da obra por ele fundada. Falece em 23 de dezembro de 1822 e é sepultado na igreja do Recolhimento da Luz, que ele mesmo construiu. A igreja ainda hoje guarda seu túmulo, no centro histórico da capital paulista, e se tornou referência para a devoção do povo. 1938: É aberto o processo de beatificação, que foi reaberto em 1986 e concluído em 1991. 1990: Após tomar as pílulas do Frei, uma criança de quatro anos internada com insuficiência hepática e que sofrera parada cardiorespiratória é curada. 1997: No dia 8 de abril é beatificado pelo papa João Paulo II. 1999: Uma mulher, Sandra Grossi, e o filho recém-nascido, Enzo, sobrevivem após parto de alto risco depois da mãe ter tomado as pílulas do Frei (o segundo milagre que foi reconhecido pelo papa Bento XVI, em 16 de dezembro de 2006). 2000: É declarado pelo Vaticano padroeiro dos profissionais da construção civil. 2007: E agora, no dia 11 de maio, em São Paulo, ele será o primeiro brasileiro nato a ser declarado santo pelo Vaticano. Madre Paulina, canonizada por João Paulo II em 2002, passou a maior parte da vida no Brasil, mas nasceu na Itália. Alguns testemunhos “Este homem, Frei Galvão, é preciosíssimo a toda esta cidade e vilas da Capitania de São Paulo, é homem religiosíssimo e prudente conselheiro ao qual todos vão ao encontro para ter luz e conforto; é homem da paz e da caridade”(Câmara do Senado de São Paulo ao ministro Provincial dos Franciscanos, em 17 de abril de 1798). “Seu nome, em São Paulo, mais que em qualquer outra localidade, é escutado com grande confiança; muitas pessoas de regiões longínquas vêm procurá-lo em suas necessidades, uma e mais vezes” (Registro dos Religiosos Brasileiros, ao fim do currículo da vida 1802-1806). “Conselheiro, ouvido por leigos e religiosos, sabia dizer a palavra justa ao pecador como também à alma de grande perfeição. Pacificador das almas e das famílias, dispensador de caridade, sobretudo aos pobres e aos doentes. Foi um frade de muita caridade, de muita vida espiritual” (dom frei Henrique Golland Trindade, 1939). Outro historiador assim escreveu: “procurado para as confissões, para pacificar nas discórdias, para ajustar problemas temporais, além de ser zeloso, era sábio e prudente”. As pílulas e os milagres Frei Galvão criou as “pílulas” (pedaços de papel com orações à Virgem Maria) e ensinou as irmãs do Recolhimento a confeccionar as mesmas e dar às pessoas necessitadas. Elas podem ser obtidas gratuitamente em São Paulo no Mosteiro da Luz. A postuladora da causa de canonização de Frei Galvão (irmã Célia, Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, fundada por madre Paulina) trouxe para o processo de beatificação 23.929 graças registradas e, depois da beatificação até junho de 2004, mais 5.478 graças. Cerca de 60% dessas graças estão relacionadas à cura de câncer; mas, um grande número refere-se a problemas de cálculos renais, gravidez, parto ou, casais que não conseguiam ter filhos e foram atendidos. O santo e o povo Já em vida Frei Galvão era venerado pelo povo por sua dedicação à oração, pregação, e caridade. Ele acolhia bem as pessoas, com especial atenção aos pobres, doentes e pessoas aflitas. Os santos foram e continuam sendo pessoas de Deus e o povo percebe isso e recorre a eles para que o ajudem a compreender e viver melhor o Evangelho e se aproximar mais de Deus. Como dizia Santo Agostinho: “se este ou aquele santo conseguiu mudar de vida, não conseguirei também eu?” Portanto, ao canonizar um santo, a Igreja convida a dar graças a Deus pelas maravilhas que realizou em favor desses irmãos e irmãs, nos convida também a olhar para ele e seguir com coragem os caminhos de Jesus Cristo e recorrer à intercessão do mesmo em nossas necessidades. Santo Frei Galvão, rogai por nós povo brasileiro e estimula-nos a seguir o teu exemplo, as tuas atitudes de serviço aos pobres e assistência aos doentes. Que sejamos todos discípulos e missionários de Jesus Cristo! José Tolfo é missionário e animador vocacional no Centro Missionário José Allamano, São Paulo. |
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