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Brasil: A vergonha da fome Stampa E-mail
Scritto da p. Jaime Carlos Patias, imc   
Padre Martinho Lenz durante o FSM 2007, Nairóbi, Quênia - Foto Jaime C. PatiasMiséria e fome têm solução. O padre Martinho Lenz, secretário-executivo do Mutirão para Superação da Miséria e da Fome, organizado pela CNBB, dá pistas deste caminho.

O Brasil que recebeu o papa Bento XVI e foi sede da V Conferência do CELAM e Caribe é o maior país católico do mundo. Ao mesmo tempo, aparece como um campeão da desigualdade social, título que envergonha e desafia a fé do católico consciente. Longe das preocupações com a perda de fiéis para outras denominações, setores da Igreja Católica pedem mais atenção ao mandamento novo de Jesus: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos... ” (Jo 13, 34-35). É questão de credibilidade.

Nessa linha, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil criou o Mutirão para a Superação da Miséria e da Fome que foi aprovado na sua 40ª Assembléia Geral, em abril de 2002 (Doc. 69 da CNBB), e lançado em todo país na festa de Corpus Christi daquele ano. É uma iniciativa de caráter ecumênico, em colaboração com outras entidades da sociedade civil e de governos. O Mutirão quer dar uma resposta ao imperativo do Evangelho: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mc 6, 37); e “eu tive fome e me destes de comer” (Mt 25, 35). Fundamento ético é a afirmação da alimentação adequada como um direito humano básico. Para o padre Martinho Lenz, 68, catarinense, sacerdote jesuíta, a miséria e a fome têm solução. Com doutorado em Sociologia pela Universidade Gregoriana de Roma, o nosso entrevistado é assessor da CNBB, como secretário-executivo do Mutirão.


Padre Martinho, por que um Mutirão para a superação da miséria e da fome?
O motivo foi a indignação de um bom número de bispos, inconformados com o escândalo de um Brasil rico em recursos naturais e gente de valor, com milhões de pessoas vivendo na mais triste miséria. Saber que a fome e a desnutrição têm solução, mas que a solução não ocorre por falta de decisão política e de organização do povo. Em resposta a essa inquietação, a Conferência dos Bispos do Brasil, comemorando seus 50 anos de existência em 2002, resolveu marcar essa data lançando um Mutirão para superar a fome e a miséria. O Mutirão foi assumido pelas Diretrizes Gerais da CNBB (2003-2007) e pelo Projeto Nacional de Evangelização - Queremos Ver Jesus: Caminho, Verdade e Vida (2004-2007).

Qual o principal objetivo do Mutirão?
Ele é uma forma de mobilização local, uma convocação para agir. Nosso objetivo maior é resgatar a dignidade vilipendiada de pessoas que passam fome crônica ou que se alimentam no lixo dos outros. O objetivo do mutirão é provocar uma grande mudança de mentalidade. Não dá para continuar desperdiçando, quando há gente passando fome.

Quais as ações que o Mutirão desenvolve no momento? Quais os resultados?
Atualmente, o Mutirão leva adiante um programa de Seminários Regionais. Em março e abril deste ano realizamos três Seminários: em Cuiabá, na Maranhão e em Manaus. Nesses Seminários, que reúnem umas 50 ou 60 pessoas, se realizam oficinas mostrando experiências bem sucedidas na região. Chamamos as entidades do governo que trabalham no combate à fome para conhecer seus programas e saber deles como a sociedade pode se valer dessas políticas e como pode colaborar. E ainda cultivamos a mística do Mutirão, que é o espírito do bom samaritano, que não fica apenas nas boas intenções.

Acha que a humanidade se habituou a aceitar a fome como mal inevitável?
O drama da fome é um drama oculto. A pessoa faminta sofre um estigma e por isso, esconde sua fome. A pessoa é vista como um preguiçoso, como um incompetente. E, na maior parte dos casos, isto não é verdade. A pobreza é produzida por políticas econômicas desastrosas, pela corrupção e pela ganância desmedida de uns poucos.

Como conciliar políticas públicas de segurança alimentar e distribuição de alimentos, com geração de renda e trabalho?
Políticas de assistência social são necessárias, porque o alimento é um direito e quem tem fome, tem pressa. Mas é preciso ensinar a pescar e cuidar que haja peixe no rio. Por outro lado, é preciso estimular as pessoas a buscarem saídas, a acreditar. Paulo Freire nos anima a exercer a pedagogia dos sonhos possíveis, a fazer o povo acreditar em si, a unir-se e aprender as boas experiências que já estão acontecendo. Um levantamento feito pela Cáritas Brasileira mostrou a existência de 15.000 empreendimentos de economia solidária, de cooperativa de artesãos à produção de alimentos e à reciclagem do lixo.

Que avaliação o senhor faz do Programa Fome Zero implementado pelo governo Lula?
Esse programa tem o mérito de colocar o combate à fome na agenda política. Um sucesso é o Bolsa-Família, que hoje assegura a 11,1 milhões de famílias um mínimo de renda para poder garantir o pão de cada dia. Mas, o que anda devagar são os programas estruturais, que visam tirar o povo da pobreza extrema e da dependência. Às vezes é por falta de recursos ou por falta de cooperação entre estados e municípios. Outras, pelo isolamento das elites, que não querem abrir mão de privilégios nem partilhar suas terras e outros bens. O vírus do egoísmo e do individualismo é um grande inimigo de soluções mais amplas.

A fome e a miséria têm alguma relação com a falta de uma reforma agrária eficaz e com a distribuição de renda no país?
Tem tudo a ver. Uma reforma agrária bem feita pode gerar trabalho e renda para milhares de famílias e garantir a segurança alimentar não só das próprias famílias dos agricultores, mas das populações locais e da região. O agricultor bem orientado e assistido é também um gerente da defesa do meio ambiente e da boa gestão do território. A renda no Brasil sofre uma concentração escandalosa e a diferença entre ricos e pobres em nosso país é uma das mais altas do mundo. Por que? Falta de uma política de educação de qualidade para todos, política de juros altos e de isenção dos lucros do capital especulativo. São exemplos de políticas que acentuam essa má distribuição de renda e de oportunidades.

Em julho acontece mais uma Conferência de Segurança Alimentar e Nutricional. O que o senhor espera desse evento?
O objetivo dessa III Conferência, que se realiza de 3 a 6 de julho em Fortaleza, é buscar mecanismos para pôr em prática a lei de Segurança Alimentar e Nutricional, que foi aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente Lula em 15 de setembro de 2006. Prevê a construção de um Sistema de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN) no Brasil. A fome será debelada no dia em que mudarmos de mentalidade e colocarmos como meta para o país o crescimento com justiça social, a produção com melhor distribuição de renda. A Igreja, com esse programa, quer contribuir para criar a vontade de mudar essa situação, com uma nova visão, baseada nos valores da partilha e da solidariedade e indo à frente com o bom exemplo. Recentemente lançamos um DVD, “Alimento dom de Deus, direito de todos”, mostrando que uma outra economia e outra sociedade não só são possíveis, mas já estão acontecendo. Quero concluir citando o profeta Isaías. No capítulo 58 de seu livro, ele revela um caminho de felicidade na prática da solidariedade com o pobre e o faminto: “Se partilhas com o faminto o que mais gostas de comer, a tua luz brilhará...”(Is 58, 6).
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Sinodo: Interventi dei padri sinodali
(dall'inizio fino al giorno 11 ottobre)

- S.E.R. Mons. Joseph VÕ ĐÚC MINH, Vescovo Coadiutore di Nha Trang (VIET NAM)

1. La Chiesa di Cristo in Vietnam, dopo l’accoglimento del Vangelo nel 1533 e, soprattutto, dopo la nomina dei primi tre Vescovi nel 1659, ha percorso un cammino pieno di croci. Attraverso gli alti e bassi della loro storia, i cattolici vietnamiti, come gli ebrei al tempo dell’esilio, hanno compreso che solo la Parola di Dio permane e non delude mai.
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