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O processo do Fórum Social Mundial e Nairóbi Stampa E-mail
Scritto da Chico Whitaker   
Um dos maiores desafios enfrentados pelo Fórum Social Mundial é a sua comunicação com o mundo. Participar de um Fórum é uma coisa. Ouvir falar dele por outros ou pelos grandes meios de comunicação de massa é outra. Para quem participa nem sempre é fácil contar, para quem não participou, o que nele aconteceu. Pior ainda para quem nunca foi a Fóruns. Neles se vivem experiências diferentes, até emocionantes.

Eu mesmo participei quase sempre como um dos seus “facilitadores”, como dizemos, e poucas vezes como simples participante. Quando estive em um Fórum mais nessa condição do que na de facilitador – naquele realizado em 2006 em Recife - quase escrevi um texto com o titulo: “a experiência que eu precisava viver”.. Na verdade só então senti por dentro, na carne, tudo que ele tem de inovador para nossas práticas e nossas esperanças.

Mas não é tão fácil ir a Fóruns. Menos ainda aos Mundiais, em que se tem muitas vezes que atravessar oceanos – o que é uma condição a que muito poucos têm acesso.

A contradição é a de não se conseguir “comunicar” ao mundo o que são e o que se passa nesses Fóruns, quando eles nasceram no bojo de uma operação de “contra-comunicação” frente a Davos (“um outro mundo é possível” e não somente o do pensamento único de Davos). Ele está de fato sendo cada vez menos “relatado” pelos grandes meios de comunicação – embora estes continuem mandando aos Fóruns grande quantidade de jornalistas. E quando o fazem, distorcem, não contam o que precisaria ser contado, menos ainda que a utopia está sendo cada vez mais reavivada.

Uma causa pode ser exatamente o fato da metodologia de organização que ele usa ser por demais inovadora para a cabeça dos profissionais da grande imprensa. Dos Fóruns não sairá nenhum documento final, nenhum novo grande líder emergirá, nenhuma proposta bombástica será lançada para mobilizar o mundo. Como sintetizar, hierarquizar e mesmo conhecer a enorme variedade de temas que neles se discutem e de propostas que neles surgem, se uma regra do próprio Fórum é não dar mais importância a esta ou aquela atividade que nele se realize? Ou seja, o Fórum não é assunto fácil nem para “cobrir” nem para criar interesse em leitores que dele não participem e, ademais, muito pouco saibam do que realmente pretende. Sobra a possibilidade de falar de pequenos incidentes que eventualmente ocorram, ou fazer conjecturas sobre o que estaria se passando nos bastidores (que não existem, embora não se acredite muito que possa existir um espaço sem algum tipo de poder concentrado...).

Do lado dos “militantes”, que usam a Internet ou meios alternativos de comunicação, a dificuldade é de outro tipo, mas também ligada às inovações de que o Fórum é portador. Para muitos é difícil compreender que ele não é nem um novo movimento nem um movimento dos movimentos, mas tão somente um “espaço”. Na política o conceito de “espaço aberto”, onde não se dispute poder, é muito novo ainda. Embora não tenha sido o Fórum que o tenha inventado, ele o tornou concreto numa dimensão mundial. Era uma intuição que já vinha rondando as insuficiências – quanto a resultados efetivamente transformadores - das formas tradicionais de fazer política.

Mas esse caráter instrumental do Fórum, como simples incubador de novas alianças e novas iniciativas, não satisfaz militantes angustiados pela necessidade e premência de mudar o mundo. Eles se perguntam: porque não utilizar seu comprovado poder convocatório para lançar fortes palavras de ordem que coloquem as massas nas ruas para enfim derrubar o neoliberalismo? A cada Fórum os defensores de um Fórum-movimento ficam achando que “desta vez vai, sairemos dele com um programa político para valer”, sem se darem conta de que, se o fizerem, destroem esse instrumento.

De fato, o Fórum não foi criado para substituir os outros instrumentos e formas de ação política de que continuamos a dispor – partidos, manifestações e mobilizações de massa, ações de resistência e de controle do aparelho de Estado, conquistas de governos, etc. - mas para colocar-se a serviço desses outros instrumentos. O “espaço aberto” surgiu no meio deles porque a insuficiência desses outros instrumentos e formas nos fizeram chegar ao fim do século XX acumulando mais derrotas do que vitórias, em nossa luta por mudar o mundo. E se tornou necessário contar com um espaço não controlado por ninguém para debater, avaliar, pensar, articular, programar.

Felizmente cada vez mais gente se dá conta dessas diferenças. E os que repetem sua quase ladainha por Fóruns que conduzam as lutas saem, a cada vez, de novo decepcionados, porque os Fóruns Sociais são dotados de um poderoso anti-virus contra a sua auto-destruição: a recusa formal de sua Carta de Princípios a ter um “documento final” único, em vez das centenas de “documentos finais” de cada iniciativa ou proposta nele discutida.

No Fórum de Nairóbi foram vividas todas essas experiências. Foram realizadas mais de mil atividades. Como em todos os Fóruns Sociais Mundiais depois de 2004, a quase totalidade era proposta pelos próprios participantes, em torno de problemas específicos a seus paises ou regiões, neste caso em grande parte se referindo a África. Outras atividades davam continuidade ou mais articulação a iniciativas em andamento, lançadas em fóruns anteriores. E havia outras voltadas para a reflexão sobre o próprio processo do Fórum, em si mesmo, e seu futuro.

Essas atividades foram em geral extremamente ricas, ainda que seus proponentes sofressem com falhas organizativas gerais ou equívocos em suas próprias previsões - como também ocorre em todos os fóruns. E foram muitas as articulações delas nascidas ou nelas consolidadas, ao longo de todo o Fórum - em varias delas se avançando significativamente - passando por cima dos problemas materiais que surgiam.

Nada teve, no entanto, grande visibilidade exterior na grande mídia, nem foi suficientemente apresentado e valorizado na mídia alternativa. As propostas, declarações e novas atividades programadas, resultantes das atividades desenvolvidas no Fórum – como em torno da problemática da água, dos direitos humanos, da dívida - só se tornarão mais amplamente conhecidas com os relatórios ainda em vias de difusão ou de concretização. Menor visibilidade ainda tiveram os resultados de encontros nunca antes ocorridos entre participantes dos diferentes rincões da África – em novas alianças entre si e com organizações dos demais paises do mundo - em torno de antigas e novas temáticas, como os mecanismos do colonialismo velho ou reciclado, ou a possibilidade de enfrentar em conjunto problemas graves como o da AIDS ou a dominação das mulheres, ou a expansão, nas cidades africanas, de condições de habitação infra-humanas, ou a ação das transnacionais.

Pouco ou nada se falou também dos muitos debates – livres - a respeito do próprio Fórum, como sobre seu caráter de “espaço aberto”, que mereceram programações de aprofundamento. Assim como não se chamou a atenção para o enorme avanço metodológico ocorrido em Nairóbi em torno de um dos mais importantes princípios da Carta do Fórum: o de estimular a ação de seus participantes após o Fórum, ao se destinar seu 4º. dia de trabalho a encontros de programação de cada organização ou redes de organizações, e de socialização de suas decisões em mini-Foruns temáticos.

Falhas organizativas comuns a todos os fóruns – que, neste de Nairóbi, atingiram de forma especial as possibilidades de trabalho dos próprios jornalistas - foram automaticamente mais realçadas do que de costume. Nisto podem ter entrado também preconceitos inconfessáveis em relação aos povos da África, como se esse continente “ainda” não comportasse tais eventos. A difusão dessas falhas poderá ser repetida para desvalorizar previamente uma eventual realização do Fórum de 2009 de novo na África, já proposta exatamente para consolidar a autoconfiança que os africanos ganharam com o Fórum de 2007.

A mídia contrária ao Fórum procurou atingir também seu próprio processo. Como desta vez veio menos gente que nos anteriores de escala mundial, foi dito que o processo estava conhecendo uma fase de enfraquecimento – embora nunca tenha havido na África um encontro internacional das dimensões do Fórum de 2007. Nesse mesmo sentido, essa mídia usou também uma interpretação distorcida das decisões tomadas pelo seu Conselho Internacional, imediatamente após o Fórum, sobre o que será feito em 2008. Passaram a dizer que não haverá Fórum em 2008, quando na verdade se decidiu realizá-lo em outro formato – como ocorrera com o policêntrico de 2006 – rumo a um Fórum único mundial em 2009.

O novo formato responde a uma dificuldade que é objetiva: a de mobilizar de baixo para cima, a cada ano, as entidades da sociedade civil de um determinado país ou região na realização de um evento de porte mundial. Mas a saída encontrada foi criativa, definindo-se um objetivo adequado à atual fase do processo: expandir horizontalmente essa mobilização a todos os rincões do planeta, na luta por um “outro mundo” e na experimentação das novas práticas políticas propostas pela Carta de Princípios do Fórum. Eventos de diferentes tipos e dimensões, em torno de diferentes temas ligados à construção desse “outro mundo”, serão como luzes que se acenderão em toda parte, na mesma data em que os “donos” deste mundo se reúnem em Davos para discutir como manter sua dominação. Mostrando que de fato somos muito mais do que os poucos milhares que podem se encontrar uma vez por ano nos nossos encontros mundiais.

Tendo sido postergada a decisão do Conselho Internacional sobre o próximo encontro mundial de 2009, isto foi também apresentado por alguns como perda de rumos. Quando o que precisamos é saudar a forma muito mais participativa com que se está construindo essa decisão: através de uma série de consultas às organizações da sociedade civil dos paises que se propõem a albergar o Fórum, para uma avaliação conjunta do Conselho em junho deste ano.

Mas embora premidos pela necessidade de “contra-comunicar”, os Fóruns não foram criados somente para “comunicar” a esperança em “outro mundo”. Há outros e variados resultados pretendidos, segundo o que se considere necessário para que avance a luta pela superação do neoliberalismo. De minha parte considero que, entre os diversos efeitos que deles se espera, o mais importante é que ajudem a construir a união entre todos que se engajam nessa luta. Só assim ganharemos a força necessária para realmente mudar o mundo. Esse é, na minha opinião, o maior serviço que os Fóruns podem prestar.

A tendência recorrente em nosso campo é a de nos dividirmos, para satisfação dos dominantes. Para superar essa tendência, que nos fragiliza, nossa união tem que ser mais profunda e mais consistente do que a das simples alianças táticas. Temos que passar, em nossas relações, da lógica competitiva, própria e essencial ao capitalismo, à lógica da cooperação, que deverá caracterizar o “outro mundo possível”.

O Fórum cria a possibilidade de alcançarmos este objetivo ao funcionar segundo princípios como o da horizontalidade nos encontros, o respeito à diversidade, a passagem de uma dinâmica de disputa a uma atitude de escuta, a organização da ação em rede em vez das usuais pirâmides de poder. Esses princípios são na verdade reais desafios para todos nós, pelas mudanças radicais que exigem em nossas práticas. Participar dos Fóruns é uma oportunidade de nos reeducarmos em novas práticas.

É dentro dessa perspectiva que cada Fórum Social Mundial foi cumprindo um papel específico. Os primeiros, realizados no Brasil, nos fizeram descobrir que somos muitos os que lutam por mudanças, assim como nos permitiram um re-conhecimento mutuo, na diversidade de nossas organizações e engajamentos, para começar a construir novas alianças.

O desafio na Índia foi o de continuar esse caminho ao mesmo tempo em que superar as fortes divisões internas ao país, entre castas, entre religiões, entre partidos, entre organizações e movimentos da sociedade civil. O processo do Fórum lá vivido abriu novas perspectivas de união, que têm ainda um bom caminho para se firmar mas já demonstraram que vale a pena tentar construí-la.

Em Nairóbi, em 2007, tornou-se possível começar a superar a separação entre povos, entre nações e mesmo entre etnias em todo o continente africano, ditadas pelo colonizador. Este atuou durante séculos de forma sistemática para provocar divisões, criando fronteiras nacionais artificiais, provocando ou exacerbando ódios entre irmãos. Ora, o Fórum de 2007 reuniu, pela primeira vez na historia da África, organizações da sociedade civil de todos os seus paises. Com isto permitiu que se desse um primeiro passo, que foi na verdade gigantesco, da dimensão do continente, para a construção da união entre seus povos, abrindo perspectivas e condições inteiramente novas para a superação de seus problemas.

E assim espero que continuemos, construindo o caminho na própria caminhada.



Chico Whitaker es membro do Comitê Internacional do FSM.

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Domenica Missionaria

I dom Avvento - B
I Domenica Avvento B

Nell’attesa della sua venuta

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Missione Oggi

La opción por el pobre después de Aparecida: Confirmación, desafío, y búsqueda
INTRODUCCIÓN
 
El objetivo de la ponencia que les voy a compartir es triple:
 
Primero: mostrar cómo Aparecida tiene el inmenso valor no solo de confirmar ( G. Gutiérrez emplea el término de reafirmar) el valor y el sentido de la Opción por el Pobre, expresión que empezó a utilizarse en la Teología desde la Conferencia de Medellín y que popularizó y divulgó la Teología de la Liberación, sino sobre todo, de poner un punto final a las discusiones, ambigüedades, diversidad de interpretaciones que suscitó esa expresión y sobre todo de mostrar el valor fundamentalmente evangélico de la manera de pensar y de actuar que conllevaba la práctica de esta Opción por el pobre.
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