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Coreia do Sul: Estrangeiros na sua própria terra Stampa E-mail
Scritto da p. Álvaro Pacheco, imc   
Photo: China Town na cidade de IncheonA Coreia é um país que ainda se vangloria de ser homogéneo. Ou seja, um povo de "sangue puro", sem misturas com outros povos

Ao longo dos anos esta noção tem-se desmistificado, sobretudo por causa do aumento do número de casamentos inter-raciais. Mas dado que a Coreia não admite a dupla nacionalidade, a maior parte sofre ainda discriminação, sobretudo os coreanos de etnia chinesa.

Existem mais de 20.000 coreanos de etnia chinesa na Coreia. Nasceram na China ou são filhos de pai chinês e mãe coreana. A lei coreana atribui a cidadania segundo a nacionalidade do pai. Assim os que nasceram na Coreia são considerados “estrangeiros”.


Mais ainda: há um termo usado para os classificar, “hwaghyo”. Ao contrário de muitos outros países da Ásia, onde as comunidades chinesas são consistentes e conhecidas, na Coreia ela é bastante reduzida. Existe uma só “Chinatown”. Fora da capital. Seúl. Só metade dos residentes são de origem chinesa.

Uma das razões para o pouco número de chineses na Coreia tem a ver com a atitude intolerante para com os estrangeiros que ainda persiste em certa medida. A intolerância reflecte-se sobretudo com descendentes de coreanos casados com estrangeiros. Para com os que nasceram no estrangeiro, esta discriminação é ainda maior.

O próximo governo, liderando pelo novo presidente-eleito Lee Myon-Bak, quer contrariar esta atitude de uma forma bem radical. Promete colocar estrangeiros na função pública e departamentos do governo. Mas a oposição opõe-se. A Federação das Industrias da Coreia insiste na criação de uma Chinatown em Seul. Iria “atrair investimentos de grande envergadura por parte de empresas chinesas e criar 920.000 novos postos de trabalho”.

Os estrangeiros com residência permanente já podem votar nas eleições locais, mas não nas presidenciais e parlamentares. É também ainda difícil para um estrangeiro conseguir empréstimos bancários. Aos poucos, a situação vai melhorando e a Coreia abre-se cada vez mais.
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