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Coreia do Sul: Ajuda alimentar vai parar às mãos dos militares Stampa E-mail
Scritto da p. Álvaro Pacheco, imc   
ImageFoi confirmado o que se suspeitava há muito tempo: a ajuda humanitária destinada a alimentar o povo da Coreia do Norte, que padece a fome, é consumida em boa parte pelos militares

Há fotos que mostram militares a descarregar sacos de arroz, com a famosa marca da Cruz Vermelha sul-coreana, em bases militares espalhadas ao longo da fronteira com a Coreia do Sul.

Desde que a Coreia do Norte foi atingida por uma crise alimentar devastadora, em 1995, a Coreia do Sul enviou cerca de 2,7 milhões de toneladas de arroz e 20 mil toneladas de milho e outros mantimentos. Este ano, foram já enviadas cerca de 500 mil toneladas. Seúl continua a enviar esta ajuda humanitária até mesmo quando a tensão entre os dois países foi elevada. Teme-se que a fome atinja dimensões catastróficas.


Ao desviar a ajuda para alimentar os seus militares, o governo norte-coreano está a trair a boa vontade dos sul-coreanos. Nega o acesso ao arroz aos verdadeiros destinatários. A continuação desta prática poderá vir a a ter influências negativas na política do novo governo sul-coreano, que promete ser menos tolerante para com o governo do Norte.

Suspeita-se que as administrações anteriores estivessem a par deste desvio continuado da ajuda humanitária. Há quem insista que o governo deveria usar estas provas para pressionar os líderes norte-coreanos a mostrarem maior transparência no lidar com a ajuda que lhes é enviada. O Ministério da Unificação já reconheceu que o actual nível de transparência não é suficiente.

Era de esperar que isso acontecesse. Afinal, um país que passa fome e recebe ajuda alimentar tem que alimentar primeiro a base do poder político. Na Coreia do Norte, esta base está nas mãos dos militares.
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