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Santidade do apóstolo Paulo PDF Stampa E-mail
Scritto da P. Emer Luiz Carlos, imc   
Mesmo não tendo feito nenhum estudo mais aprofundado sobre o apóstolo Paulo aceitei o convite para escrever este artigo também como um desafio e uma oportunidade para conhecer um pouco mais acerca deste grande apóstolo e partilhar aquilo que me pareceu mais relevante acerca do tema.

Chamados a ser santos

O chamado de todo seguidor de Jesus à santidade é algo que Paulo insiste e não perde oportunidade de lembrar aos destinatários de quase todas as suas cartas. Por exemplo na carta aos Romanos Paulo dirige-se a eles com estas palavras: “a todos os que estão em Roma, queridos de Deus, chamados a ser santos...”(Rom 1,7) Aos Coríntios também ele diz “à igreja de Deus que está em Corinto, aos fiéis santificados em Jesus Cristo, chamados à santidade...”(1Cor 1,2). Aos Efésios lhes recorda que Deus Pai “...nos abençoou com toda a benção espiritual em Cristo, e nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis...” (Ef 1,4-5).

Se Paulo em todas as oportunidades exorta os que abraçaram a fé a buscarem a santidade não é difícil imaginar que esta busca é para ele algo de fundamental importância e é natural que ele seja o primeiro a tentar alcançar aquilo que ele tão insistentemente exorta aos outros. Torna-se compreensível então que ele não tenha nenhum receio de constantemente convidar os cristãos a imitá-lo: “Sede meus imitadores, como eu mesmo o sou de Cristo” (1Cor.4,16; 11,1; Ef.5,1; Fil.3,17; 2Tes.3,7)

Conversão...pressuposto para a santidade

O caminho de Damascus, ou seja, o encontro com o Senhor e a sua conversão foi provavelmente o evento mais importante de vida de Paulo. Foi algo que não só marcou a ruptura com toda sua vida passada e o início de uma vida radicalmente nova e diferente...mas foi também algo que se tornou o referencial básico para tudo o que viria depois em sua vida.

O que aconteceu com ele não foi somente uma experiência de Deus que o levou a mudar de vida e a tornar-se seguidor de Jesus, mas foi uma mudança extremamente radical e fora de qualquer lógica humana(abraçar a fé que até então tentara eliminar). E esta conversão ele experimentou da forma mais clara e contundente possível como iniciativa de Deus.

Esta certeza da mão de Deus no que lhe aconteceu, por um lado lhe dará convicção e grande coragem em tudo que irá proclamar e fazer, e por outro lado, grande humildade por saber por experiência própria que tudo foi obra do amor e da graça do Senhor a ele, pecador e o mais indigno: “Eis uma verdade absolutamente certa e merecedora de fé: Jesus cristo veio a este mundo para salvar os pecadores, dos quais sou eu o primeiro” (1Tim. 1,15)

Penso poder dizer que a experiência de ser encontrado por Jesus e aceitar o desafio da transformação radical(conversão) segundo a vontade de Deus, tenha sido o pressuposto que Paulo tem em mente quando exorta aos demais a buscar a santidade.

Em outras palavras, o que Paulo acredita é que fomos criados por Deus e para Deus e a Ele pertencemos. O chamado à santidade não é outra coisa que retornar a ser imagem e semelhança de Deus, conforme saímos de suas mãos.

Santidade como vida nova em Cristo

A santidade de Paulo consistiu exatamente em viver aquilo que ele pregava acerca da santidade e que ele exortava aos cristãos a buscar, ou seja, a partir do encontro pessoal com Jesus e do abrir os olhos para a verdade, dar-se conta de que aquilo que viveu até o momento foi engano “renunciai à vida passada, despojai-vos do homem velho, corrompido pelas concupiscências enganadoras”(Ef.4,22) e assim poder abraçar com paixão a maneira radical de viver do próprio Jesus “revesti-vos do homem novo, criado à imagem de Deus, em verdadeira justiça e santidade”(Ef. 4,24). Porque, na verdade, a verdadeira santidade é revestir-se de Cristo, é ter os mesmos sentimentos que ele (Fil.2,5), é morrer para a vida vivida até então e tornar-se pouco a pouco mais parecido com Jesus: “Eu vivo, mas já não sou mais eu, é Cristo que vive em mim” (Gal. 2,20)

Esta mudança radical de vida que deve caracterizar quem busca a santidade, Paulo a expressa também como morrer e ressuscitar em Cristo e aponta os sinais concretos que deverão aparecer na vida do cristão: “Se, portanto, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, não às da terra. Porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo Jesus” (Col.3,1-3).

Ou seja, Paulo fala de morrer e ressuscitar em Cristo, de viver um estilo de vida não segundo a natureza, mas segundo a Boa Nova do Evangelho.

Santidade... viver segundo o Espírito

Paulo é ciente da luta interior que o cristão é chamado a travar, como ele mesmo experimentou “...eu sou carnal, vendido ao pecado. Não entendo o que realizo, pois não executo o que quero, mas faço o que detesto”(Rom 7,14-15). Esta luta interior Paulo a coloca como a luta entre os desejos da carne e os desejos do Espírito que são contrários entre si e se opõem uns aos outros, levando a pessoa a não fazer o que gostaria (Cf. Gal.5, 17)

Paulo enumera quais são concretamente as obras da carne: fornicação, impureza, idolatria, brigas, ciúmes, ódio, bebedeiras, etc...e também quais os frutos do Espírito: caridade, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança.. (Cf. Gal. 5, 19-23).

Embora Paulo saiba e reconheça a dureza desta luta interior ele afirma com toda convicção que “os que são de Jesus Cristo crucificaram a carne, com as paixões e concupiscências” (Gal.5,24). Esta luta não é outra coisa que a luta por libertar-se da maneira antiga de viver e assim revestir-se de Cristo que naturalmente levará a produzir os frutos do Espírito acima mencionados.

Santidade...viver para o outro

A santidade de Paulo, portanto consiste em transformar-se numa cópia viva de Jesus, “num outro Cristo” como diziam os Padres da Igreja. E se para Paulo a santidade é basicamente transforma-se num outro Cristo como a sua vida demonstra que este foi seu único objetivo desde o momento em que foi tocado por Ele, é natural e lógico que Paulo enfatize a centralidade do amor (caridade) “toda a lei se encerra num só preceito. Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Gal. 5,14); “por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade - as três. Porém, a maior delas é a caridade” (1Cor. 13,13); “acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição” (Col.3,14) e exorta constantemente à vivência de todas as atitudes daí decorrentes: “como eleitos de Deus, santos e queridos, revesti-vos de entranhada misericórdia, bondade, humildade, doçura, paciência. Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente...” (Col. 3,12-13), pois como diz São João Crisóstomo: “Nada te pode fazer tão imitador de Jesus Cristo como a preocupação pelos outros”.
Assim Paulo escreve o belo hino ao amor (cf. 1Cor. 13); diz aos Corintios: “empenhai-vos em procurar a caridade”(1Cor. 14,1), e “tudo o que fazeis, fazei-o na caridade”(1Cor. 16,14). Afirma que “a caridade não pratica o mal contra o próximo. Portanto, a caridade é o pleno cumprimento da lei” (Rom.13,10). Pede aos Gálatas: “ajudai-vos uns aos outros a carregar os vossos fardos, e deste modo cumprireis a lei de Cristo” (Gal.6,2) E expressa qual é a maior alegria dele como apóstolo: “completai a minha alegria, permanecendo unidos. Tende um mesmo amor, uma só alma e os mesmos pensamentos...Cada qual tenha em vista não os seus próprios interesses, e sim os dos outros”(Fil. 2,2.4)

Podemos assim dizer que a santidade de Paulo e a santidade que ele constantemente exorta aos seguidores de cristo é profundamente Cristocêntrica, centrada no amor, que leva a pessoa a não medir esforços para alcançar o outro, buscando a harmonia, a comunhão, e a vida em plena em Cristo para todos.

Conclusão: Refletindo acerca de Paulo, santo e grande missionário não podemos deixar de recordar o pensamento do nosso fundador que cunhou a expressão “primeiros santos depois missionários” justamente por ter intuído e compreendido que o fazer e o agir do missionário são a expressão do seu ser, ou seja, o que ele faz é uma extensão do que ele é, e portanto quanto mais revestido de Cristo e quanto mais “um com Ele” o missionário se torna, mais claros e abundantes serão os frutos do Espírito produzidos e assim mais criativa, fraterna e rica será a missão.

Paulo realizou tanto porque unificou todo o seu ser e seu viver na pessoa de Cristo “para mim o viver é Cristo...” (Fil. 1,21). Aí está o fundamento, a vivência e a expressão de da santidade de Paulo e o desafio para a nossa.
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Missione Oggi

Globalization and the Gospel: The Challenge of Religious Life
Introduction

For the last couple of days we have been talking about the globalization, the Church, and mission. In this our final day of the conference we want to look at the role of religious life and spirituality in our current global climate. The issue of globalization, as is abundantly clear, is so complex and far reaching that we often do not even know where to begin. As leaders of Religious Communities, you know the great extent to which Religious life also has been affected, positively and negatively, by these changes. Discerning the presence of the Spirit and committing ourselves to the demands of the gospel is the foremost challenge we face, and it is the reason why we are here for these days.
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