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A missão inspirada pela Consolata Stampa E-mail
Scritto da Corrado Dalmonego, imc   
ImageO povo, movido pela fé, sempre recorre a Nossa Senhora Consolata buscando amparo nas perseguições, proteção nos flagelos e auxílio nas aflições. A mãe de Jesus, consolada por ter acolhido a Palavra de Deus feita carne e pela presença do Espírito, trouxe ao mundo a consolação esperada e por isso não deixa de espalhar esta consolação a quem a ela recorre com fé. Aquela que foi consolada, dessa forma, se torna também “consoladora”, confirmando o título carinhoso com o qual em dialeto piemontês, origem de sua devoção, o povo simples se dirige a ela: “La Consolá”.

O Bem-aventurado José Allamano foi um fervoroso filho de Maria Consolata. Desde os seus primeiros anos de sacerdócio, até à morte, isto é, por 46 anos, foi reitor do Santuário a ela dedicado, ao qual deu vida nova e transformou num centro de intensa vida cristã e de espiritualidade mariana, que acolhia um crescente número de fiéis. Allamano, que cultivava desde jovem o anseio pela missão, era bem consciente de que a fé recebida pelo batismo não podia ser guardada egoisticamente no espaço da intimidade ou dentro de um grupo restrito: era preciso “derrubar paredes”, “percorrer caminhos”, “construir pontes” e “atravessar mares” para alargar os horizontes do coração da Consolata até o mundo inteiro.


Numa Igreja fecunda, com muitas instituições, José Allamano atendeu o chamado de enviar ao mundo missionários e missionárias sob seu nome: a Consolata foi a verdadeira “fundadora” e intercessora das graças de Deus, pelas quais se “abriram todas as portas”. Homens e mulheres que a carregam no coração, somos como ela, discípulos e discípulas do Evangelho, partícipes da missão de seu Filho, de anunciar o Reino de Deus aos povos. A sua presença e o seu modelo materno são ajuda no trabalho e ponto de referência nas dificuldades.

Maria e os caminhos da evangelização

Os caminhos da evangelização encontram inspiração na figura de Maria, consolada com a Ressurreição do Filho: núcleo do anúncio do Reino e força para a missão de consolação.

Maria, que ao longo de sua vida se dispôs a colocar suas energias a serviço do Evangelho, continua respondendo o seu “sim” nas pessoas que preparam seu coração à acolhida do projeto de Deus.

Maria, que com solicitude visitou a prima Isabel, continua mostrando a urgência de anunciar ao mundo Cristo, e de fazê-lo com firmeza, sobretudo nas situações difíceis. A “Virgem do encontro” nos aponta uma missão que sempre mais significa construir relações pessoais significativas, e uma forma de consolação que desabrocha na proximidade, no sentir o bater dos corações e na acolhida das palavras de quem não tem voz. Maria também é sinal de consolação quando revive e canta o encontro com o Deus da história, na história de seu povo, não hesitando em proclamar este Deus misericordioso que defende os humildes e oprimidos e destrona os poderosos do mundo. Ela é imitada quando nos colocamos em defesa da vida, contra toda escravidão e morte.

Maria mãe, que com o nascimento de Jesus o deposita numa manjedoura, abre-lhe o caminho para todas as casas, cortiços, albergues, abrigos, barracos de lona e malocas onde a humanidade mora. Inspira a missão na presença simples e fraterna, que gera confiança e produz compreensão. A sua maternidade impele os discípulos do Senhor a dar atenção a todas as aflições da vida, ao mistério da dor, às condições de exclusão, à maior fraqueza, tornando evidente que o Evangelho é libertação de toda escravidão, opressão e dor.

Maria, que apresenta Jesus no templo, é a mulher que recebe a herança de seu povo. A Consolata é a mesma Nossa Senhora Aparecida negra e a Virgem de Guadalupe, dos traços e trajes indígenas que deixa a luz da Boa Nova resplandecer. Ela é para nós uma exortação a acompanhar o caminho dos povos, favorecendo o encontro positivo entre culturas e religiões, na tentativa comum de frisar os rumos do Reino.

Maria aos pés da cruz partilha as dores do Filho como só uma mãe pode sofrer e, junto a nós, seguidores e seguidoras do Senhor, levanta um grito contra todas as crucificações.

Maria, junto aos discípulos no cenáculo, recebe o Espírito que abre os caminhos da missão, estimulando-nos a enxergar os sinais dos tempos, intuir o futuro e favorecer a sua preparação. Hoje como sempre, a vida missionária encontra em Maria Consolata a inspiração para o desapego, o zelo e a visão profética sobre a realidade. Mãe Consolata, interceda pela criação inteira!


Corrado Dalmonego é missionário, membro da equipe de formação do Centro Missionário José Allamano em São Paulo. - Publicado na edição Nº05 – Junho 2008 - Revista Missões.
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