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Em busca do sentido da vida Stampa E-mail
Scritto da p. Domingos de Oliveira Forte, imc   
ImageQuem pode afirmar “fui eu que pedi para nascer?” Quem não concordará que nos encontramos diante de algo que nos supera? Só alguém com insanidade mental é que poderá levantar o dedo e dizer “eu sou o princípio” ou “fui eu que pedi para vir ao mundo”.

Existe, poderíamos dizer com São Tomás de Aquino, um motor imóvel, um motor primeiro, um ponto de partida: o motor que nos transportou do não-ser à existência. Sem mais rodeios, está claro que é Deus quem nos chama à vida, é o ponto de partida. Nós não nos geramos sozinhos: a vida é dom, é presente gratuito! E então, quando me conscientizo de que sou um ser humano, acredito que não preciso fazer mais nada?

Eis a questão


O que Deus quer que eu seja? Qual é a vocação fundamental da minha existência? Quando Ele me desenhou, o que desejou para mim? Com certeza, tornar-me sua imagem não deformada (Gn 1, 27). Deus desejou que eu fosse sua imagem e semelhança. Fantástico! Mais: todos somos chamados “desde antes da criação do mundo” (Ef 1,4) a participar da própria vida divina, até à eternidade. Eis aqui a questão que preside o sentido da vida: como fazer para me tornar imagem e semelhança de Deus? Se formos buscar a resposta em certos espiritualismos frustrantes do tipo “devo corresponder a Deus”, ou “devo fazer de tudo para agradar a Deus”, não encontraremos nunca o que buscamos.

O absurdo

A história de Caim (Gn 4) lembra-nos que é (im)possível viver sem ser imagem semelhante de Deus. Como se faz? As palavras “irmão” e “Abel” aparecem sete vezes no texto; o número sete na Bíblia indica a totalidade, o que significa que nós também fazemos parte não só da história de Caim e Abel, como somos da família.

Na história de cada um existe uma fraternidade negada (v.9), relações cortadas e complicadas: no relacionamento familiar, entre amigos, namorados, marido e mulher, pais e filhos... A criação é respeitada quando se reconhece a fraternidade, que, freqüentemente, se revela incômoda, talvez porque traz à tona algum aspecto em mim desapontador, ou, então, que não corresponde ao que espero da vida.

Não estou sozinho...

“Pouca coisa” é o significado do nome Abel, o mesmo que “sopro”, “vazio”, “nada”. Abel não diz uma só palavra. Para sua vida ter sentido, consistência e importância, é preciso que Caim o reconheça como irmão. Sou eu que dou consistência à vida do outro, assim como é o outro que dá consistência à minha. Toda vocação do outro depende de mim, do meu reconhecimento. Se não o reconheço, o outro passa a ser Abel, pouca coisa, sopro, nada.

Esta abertura à vida e ao próximo está ameaçada (v.7) pelo inimigo, que quer entrar para convencer-me que basta olhar para mim mesmo. Ele quer que eu seja egocêntrico: “Eu sou... eu faço... eu decido... eu creio que não estou à altura (... de fazer aquilo que não me apetece, claro!)... eu não sinto necessidade de você”... e o outro, que importância tem? Será que aquilo que o próximo sente por mim não conta?

Sê fraterno

Acolhe a vida! As novas realidades passam diante da porta da sua casa, você pode decidir a quem deixar entrar. Abra os olhos e escorrace a serpente, feche a porta a ela, não àquilo que há de bom para descobrir nas pessoas que lhe querem bem... mesmo que tenham mil defeitos, mesmo que apresentem a Deus dons mais belos que os seus (vv. 4-5). Decida você quem quer deixar entrar, o sentido que quer dar à sua vida. Para esta empresa, a graça de Deus (só) basta (2Cor 12, 6-10).

“Onde está o seu irmão?” Mesmo que nos esqueçamos, Deus não. Volta sempre. Semelhante é a pergunta feita a Adão (Gn 3, 9). Terrestre, onde você está?... por que se esconde? Por que se considera incapaz de uma amizade que lhe foi oferecida? Que distância está abrindo entre você e seu irmão, o seu amigo, o seu marido, a sua mulher, os seus filhos, o pobre? É difícil acolher e aceitar a alteridade, contudo se você não aceita o seu próximo, o reduz a nada; antes ou depois, também você se sentirá assim e buscará preencher o seu vazio com o vazio do sucesso, da ambição, da realização pessoal. Sim, todas coisas muito belas, mas secundárias, diante da vocação fundamental: buscar ser imagem semelhante de Deus.

Sem o outro, sou nada

A negação da relação com o outro me fecha a Deus. Por isso me sinto só, sem diálogo com Ele, rezo sem ter respostas esperando consegui-las amanhã (quem sabe?). Sem o outro, sou nada, fico cabisbaixo. Porém, Deus, não cessa nunca de me amar, mesmo se mato o meu irmão. Deus defende Caim (“será vingado sete vezes”). Mantém-o sempre aberto à vida, convidando-o a levantar a cabeça e a colocar-se em busca do irmão perdido.

Quantas belas palavras foram ditas?!... Mas, relacionar-se com o outro não é só alegria, o outro que busco e tento amar me fere, me desilude. Faz-me ver, como que refletido em um espelho, as minhas rachaduras. Que faço com minhas feridas? Desapontamentos? Incapacidades? Sonhos inacabados? Relações interrompidas? Quanta angústia!...

Como trato das feridas?

Posso resignar-me, fazer-me indiferente, descartando toda a relação que não me cai bem. Convivo fraternalmente com o medo e a preguiça, enfim, não assumo nada com empenho, mato as razões. Mas... sem razões não se vive. Resignação “tanto não será nunca como antes”. Enfim, quantas coisas belas eu perco pelas quais valeria a pena tentar, arriscar, viver.

Posso também dar uma de super-homem que combate para mudar a sociedade, ou seja, fugir do Evangelho porque insuficiente. Deus é um meio moribundo, um coitadinho de Abel.

E por que não tratar minhas feridas com o bálsamo da fé? Medicamento que me dá razões para me levantar e buscar sempre... O bom samaritano passa por mim, não falha a estrada, aproxima-se para que as minhas feridas sejam saradas. Leva-me, estou fazendo a viagem arriscando a vida, descobrindo o fascínio de viajar com Ele. Encontro e viajo com Deus, quando encontro e viajo com o outro. Minhas feridas só serão curadas quando me aperceber da sua presença ao meu lado. Você pode aliviar suas feridas e angústias, olhando-as frontalmente e compreendendo-as. Confiá-las a Jesus quer dizer: “vende tudo, depois vem e segue-me” (Mc 10, 21). André vai buscar o seu irmão e o conduz até Jesus (Jo 1, 42). A fraternidade leva a Jesus, eu também sou levado, conduzido. Ou encontro uma pessoa que me conduza ou serei Abel, pouca coisa, sopro, vazio, nada... sem sentido.

Domingos de Oliveira Forte, imc, animador missionário e formador no Propedêutico IMC, em Jaguarari, BA.
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Missione Oggi

La Parola di Dio nella vita e nella missione della Chiesa
La mia riflessione sulla centralità della Parola di Dio nella vita e nella missione della Chiesa è anzitutto quella di un pastore, che attinge certamente al suo cammino di teologo al servizio della Verità che libera e salva, ma soprattutto parla in rapporto ai molteplici vissuti umani che continuamente incontra e a cui annuncia la Parola della fede. È tenendo conto di questi vissuti che vorrei articolare le mie considerazioni costruendo una sorta di “menorah” dello spirito, un settenario ispirato al candelabro sacro, che arde nel Santuario di Dio, per aiutarci a illuminare gli scenari del tempo e gli scenari del cuore con la luce della Parola. Partendo dall’attesa della Parola, dal bisogno cioè di una rivelazione che rompa il silenzio del mondo e delle sue solitudini, vorrei riflettere sul Verbo rivelato anzitutto nel suo carattere di buona novella per tutte le solitudini, per fermare quindi la riflessione sull’evento che ha inondato il silenzio dell’intero creato e ha aperta la possibilità della comunicazione trasformante con l’Amore eterno: “Deus dixit!” – “Dio ha parlato!”.
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