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| Scritto da Joaquim Justino Carreira | |
Quando falamos sobre família vêm à mente das pessoas as mais diversas e até contraditórias e confusas experiências e concepções. Para muitos é coisa do passado, para outros é desejo incontido, situação traumatizante ou maravilhosa para tantos. O certo é que a vida familiar é a mais marcante experiência da vida humana que deixa repercussões importantíssimas para todos. Ela está fundamentada na comunhão conjugal fiel e indissolúvel, verdadeiro caminho de santidade e abertura à vida. É uma realidade que deve ser refletida, aprofundada, ajudada, defendida e principalmente praticada, pois todos nascemos pequeninos e precisamos ser bem cuidados para sobreviver física, psicológica, cultural e espiritualmente.A revelação cristã Uma família se forma através do amor conjugal que é a doação recíproca entre um homem e uma mulher. Os esposos através do sacramento do Matrimônio prometem livremente amor mútuo, fiel e exclusivo até à morte. O amor é fecundo e deve estar aberto à vida e à educação dos filhos. O amor dos esposos cristãos assemelha-se ao amor da Santíssima Trindade. Assumido no sacramento do Matrimônio significa a união entre Cristo e a Igreja e na graça de Cristo encontra purificação, alimento e plenitude. Na epístola de São Paulo aos Efésios 5, 23-33, lemos: “Deus é família e não solidão. Na comunhão da Trindade, nossas famílias têm sua origem, seu modelo perfeito, sua motivação mais bela e o seu último destino”. A família é uma realidade primária da vida pessoal, da vida social, da vida espiritual e da vida da Igreja. A realidade familiar passa por muitas dificuldades, pois é a base e o alvo de muitos interesses contraditórios. Como comunidade ela é fruto do que cada um colocar em comum, porém, acaba sendo o lugar onde todos querem sugar, oferecendo pouco ou nada para a sua edificação e estabilidade. Além das dificuldades pessoais existem outras que a família enfrenta e que são originadas de causas que ultrapassam a boa vontade das pessoas. Existem dificuldades econômicas, sociais, religiosas, pessoais, psicológicas, entre outras. E as causas dos problemas devem ser identificadas, iluminadas pela Palavra de Deus e pela doutrina da Igreja, dando a elas uma resposta vigorosa através de uma ação catequética educativa, incisiva e constante que incentive o ideal cristão. Faz-se necessário e urgente incentivar as instituições públicas a promoverem mais a vida matrimonial fundamentada no matrimônio e proteger a maternidade e o valor insubstituível da mulher no lar. Dar condições aos pais de sustentarem a família e incentivarem os casais a viverem o amor mútuo que se prolonga no amor aos filhos. Nada impele tanto a amar como saber que se é amado. A família é mais que outra realidade qualquer, o ambiente em que o ser humano é amado por si mesmo e aprende a viver “o dom sincero de si”. Situações especiais É urgente refletir e colocar em prática o conjunto do ensinamento espiritual, moral e social da doutrina católica. A grande maioria dos nossos batizados não é evangelizada, vive as práticas religiosas quando interessa. 60% das famílias na América Latina estão em “situações especiais”, ou seja, separados, segunda, terceira uniões (e somos o continente mais católico). A mentalidade atual forma o avesso das verdades básicas e essenciais da vida humana, da sexualidade (egocêntrica), dos filhos (satisfação pessoal, patrimonial), da união matrimonial (provisória), do desrespeito à vida (cultura de morte). Dúvidas ou erros no campo matrimonial e familiar implicam grave obscurecer-se da verdade. Afirmou o papa João Paulo II, aos bispos do Brasil na visita ad limina de 2002: “quando na família desaparecem o amor, a fidelidade ou a generosidade perante os filhos, ela desfigura-se e as conseqüências desastrosas não tardam a aparecer”. Para os adultos, a solidão. Para os filhos, o desamparo, e para todos a vida torna-se território inóspito. Falo agora às forças da pastoral diocesana: nunca deixem de atender os casais em dificuldade, animando-os para que sejam fiéis à sua vocação no serviço à vida e à plena humanidade do homem e da mulher, fundamentos da civilização do amor. Sejamos testemunhas e executores do projeto de Deus em prol da vida humana e da família. Não tenhamos medo dos riscos. Não existe uma situação difícil que não possa ser enfrentada de modo adequado, quando se cultiva uma vida cristã coerente. Maior que o mal que opera no mundo, é a eficácia do Sacramento da Reconciliação, caminho para Deus e o próximo. Como discípulos missionários devemos trabalhar apara que a família assuma o seu ser e sua missão na sociedade e na Igreja. A família no Documento de Aparecida A família constitui um dos mais importantes tesouros dos povos latino-americanos. Ela é o lugar onde a vida humana é concebida, acolhida, respeitada, escola da fé, lugar de transmissão dos valores humanos, cívicos e éticos. Dos 554 parágrafos do Documento, 73 abordam a realidade familiar, sua importância e necessidade de evangelizá-la e descobrir as causas geradoras dos males que a afetam e a buscar as soluções que os superem. Entre as dificuldades a enfrentar encontramos a decadência da estrutura familiar, a violência, as injustiças e a perda da qualidade de vida. Devemos implantar e incentivar em todas as paróquias e comunidades uma Pastoral Familiar vigorosa, firme e conseqüente. Objetivos da Pastoral Familiar: 1. Viver, crescer na fé e aperfeiçoar-se como comunidade de pessoas. 2. Ser “Santuário da Vida”. 3. Ser “célula primeira e vital na sociedade”. 4. Ser “Igreja doméstica” e “Igreja Missionária”. 5. Ser lugar de discernimento vocacional. A família é: * O ninho onde a vida é acolhida, amada e respeitada desde a concepção até ao seu fim natural. * A primeira escola das virtudes humanas, sociais e cristãs. * É um laboratório do amor, portal da fé, lugar das vocações e carismas. * É pilar da Evangelização e lugar da contínua transmissão da fé. * É comunhão de pessoas em que reina o amor gratuito, desinteressado e generoso – lugar onde se aprende a amar. * A família tem uma função e ministério que lhe é próprio, como família cristã. * A Igreja e o Estado se sustentam na família. * A família tem como identidade ser escola de amor, comunhão estável de amor entre o homem e a mulher, fundada no matrimônio e aberta à vida. Ações da Pastoral Familiar (DA 437) 1. Comprometer de maneira integral e orgânica as pastorais, movimentos e associações matrimoniais e familiares – em favor das famílias. 2. Promover as famílias evangelizadas e evangelizadoras. 3. Renovar a preparação remota e próxima para o matrimônio com itinerários de fé. 4. Promover diálogo com os governantes em favor de políticas públicas em favor da vida, do matrimônio e da família. 5. Promover a educação integral dos membros da família. Especialmente os que estão em situações difíceis, incluindo o amor e a sexualidade. 6. Centros diocesanos e paroquiais com pastoral que dê atenção integral à família, especialmente os que estão em situações difíceis: mães adolescentes e solteiras, viúvos e viúvas, pessoas da terceira idade, crianças abandonadas, etc. 7. Acompanhamento para a paternidade e maternidade responsáveis. 8. Estudar as causas das crises familiares e encará-las em todos os fatores. 9. Formar os agentes da Pastoral Familiar: doutrinal, pedagógica e permanentemente. 10. Acompanhar os casais em situação irregular, com prudência, amor compassivo e cuidado, não podem participar da comunhão. Estimular mediações interdisciplinares e preparar bem os agentes. 11. Orientar as situações de nulidade e que os Tribunais sejam acessíveis, atuação rápida e correta. 12. Promover as adoções dos meninos e meninas órfãos. 13. Casas de acolhida para meninas e adolescentes grávidas, mães solteiras, lares incompletos. 14. A Palavra de Deus nos pede atenção especial para viúvas nas situações de desamparo e solidão. Joaquim Justino Carreira é bispo axiliar de São Paulo, Região Episcopal Santana. |
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